Esforço percebido e a escala de Borg
O esforço médio é uma das leituras mais úteis do painel — e uma das mais mal compreendidas. Este guia mostra o que ele mede, o que não mede, e como aproveitá-lo.
O que é o esforço médio
Quando o paciente confirma um exercício no Teraply, ele pode registrar o quanto aquilo exigiu dele — numa escala de 0 a 10. O "esforço médio" que você vê no painel é a média desses registros.
É importante entender o que esse número é e o que ele não é: ele mede esforço percebido, não dor, não intensidade do exercício e não melhora clínica. É a leitura que o próprio paciente faz de quanto se empenhou.
De onde vem a escala de 0 a 10
A ideia de pedir para a pessoa avaliar o próprio esforço numa escala numérica vem da escala de Borg de percepção de esforço, amplamente usada em reabilitação e educação física. A versão de 0 a 10 é simples o bastante para o paciente idoso usar sem treino: 0 é "nenhum esforço", 10 é "esforço máximo".
0–2 muito leve · 3–4 leve · 5–6 moderado · 7–8 intenso · 9–10 máximo. O paciente não precisa acertar o número "certo" — o valor está na tendência ao longo do tempo, não em cada registro isolado.
Por que o esforço percebido é útil
Você não está na casa do paciente para ver como ele fez. O esforço percebido é uma janela para isso — e ele conta coisas que a simples confirmação "fiz" não conta:
- Esforço muito alto num exercício simples pode indicar que a carga está além do momento do paciente, ou que ele está compensando errado.
- Esforço muito baixo num exercício que deveria desafiar pode indicar que já passou da hora de progredir.
- Esforço subindo ao longo das semanas no mesmo exercício merece atenção — algo mudou.
Como usar na conversa com o paciente
O esforço percebido é ótimo para abrir conversa, não para cobrar. Em vez de "por que você achou tão difícil?", experimente "vi que esse exercício está pedindo bastante de você — como está se sentindo com ele?". O número te dá o gancho; a conversa dá o contexto.
Um esforço alto é esperado e muitas vezes desejável — é sinal de que o exercício está desafiando. Dor é outra coisa, e tem canal próprio: o registro de intercorrência. Não confunda um com o outro ao ler o painel.
E se o paciente não registra o esforço?
O registro do esforço é opcional para o paciente. Quando ele não preenche, o Teraply simplesmente não computa aquele exercício na média — não inventa um valor. Então um esforço médio baseado em poucos registros deve ser lido com cautela: é uma amostra pequena, não um retrato completo.